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Estamos quase lá!!

Estamos chegando ao fim de ano, e já começamos a ouvir musiquinhas de natal e a ver decorações natalinas, e com isto, o inevitável balanço do ano, o que fizemos e o que pretendemos pra o próximo ano, e claro, como corredores, olhamos muitas vezes a vida,e muitas as vezes a medimos com corridas, quantas fizemos, nossos tempos, nossos treinos etc
Este ano foi excelente, e a que tudo indica, parece que vai terminar melhor ainda, este ano tive a oportunidade de correr 3 Maratonas, pra mim é fantástico, um ex-sedentário, sem nenhum problemas de saúde que resolveu correr para perder uns quilinhos, e achava um absurdo alguém correr 10km, agora corre Maratona, é, não sou o Haile, não sou o Bekele, mas assim como eles, sou um MARATONISTA!Tenho um tremendo orgulho disto. Comecei este ano com a bem organizada de São Paulo, minha cidade, fui pra bela do Rio e finalizei com uma das maiores do mundo, que era só um sonho, agora é Real, e Real até no nome Real Berlin Marathon.
Foram muitos treinos, mais de 2000km, quase todos com dores nos joelhos, chego a pensar que a dor é minha companheira, foram 4 ortopedista, ótimos profissionais, mas parece que o ultimo teve um lance House, pelo visto descobriu o que me provocava as dores, são apenas 18 milímetros, sim, uma perna mais curta que a outra 18 mm, e pensar que nunca ninguém desconfiou, Deus ajude que seja isto, serei um novo corredor.
Desta maneira poderei caminhar para o meu objetivo maior, meu sonho impossível, a temida Comrades 2010, amigos corredores já estão me chamando de maluco, isto só esperava dos meus amigos, não dos corredores, mas sou daquele tipo, que quanto mais duvidam, mais teimoso fica.
Serão centenas de quilômetros, mas quem ama correr, sabe, que treino é prazer, solitário na maioria das vezes.
A todos amigos muitos km de saúde, muita perna, que possam encontrar muito asfalto livre de carros, cachorros, e de ciclistas. E que a cada dia de corrida possa ser melhor que o outro.

Comrades, quando o sonho escapa!!

Li este relato no site da Comrades e o coloquei aqui, estamos acostumados a ler relatos de pessoas que conseguiram esta ou aquela proeza, dificilmente alguém escreve sobre seu insucesso, isto é, se pode chamar a luta deste indiano Amit Shet, que tentou a Comrades em 2009, e não conseguiu a tão poucos quilometros da chegada, ele disse que volta em 2010, inclusive é o embaixador da Comrades para a India.

Relato muito emocionante, dificil pra mim, que sou apaixonado pela Comrades e corridas, ler, sem me emocionar.Consegui me sentir no lugar dele, e doeu..

Como Kabelo (um dos cantores mais populares da África do Sul) disse às crianças no Dia Nacional da Juventude antes da Comrades: "Vocês são todos vencedores, porque você correu a sua corrida. Os perdedores são aqueles que não estavam na linha de partida ". No dia da corrida, mais de 12.800 corredores. Nós não sabemos de um corredor que parou e voluntariamente e se aproximou e sentou-se em uma das vans e foi levado de volta para Durban.
Sabemos de vários corredores, que nos pontos de controles (cut offs) encontrou o caminho bloqueado por um funcionário CMA que fechou a estrada para aqueles que não podiam fazê-lo após o ponto no tempo designado terminou de maneira prematura o fim da Comrades 2009 para alguns, mas nós confiamos que você estará de volta para terminar o que começou. A dor sentida pelos corredores que não cometeu esses offs corte foi melhor expressa por um corredor novato da Índia que escreveu;
"No dia Comrades, a 51 km, pela primeira vez na minha vida, eu tive cólicas. Doeu tão de repente e tanto que eu pensei que iria cair. Eu sabia que nesse ponto que a Comrades tinha acabado pra mim. E lembrei do meu filho dizendo-me há dois dias no quarto de hotel "papai você tem de terminar ". Eu recordava exatamente recordar da sua voz, seu rosto, como ele ficou quando ele disse estas palavras. Eu prontamente comecei a chorar naquele momento na estrada.
Com 11:20, eu estava no km 82,5 e deveria atingir o cut-off dos 83km (a prova termina nos 89km), a van chegou perto de mim e uma gentil senhora me pediu para entrar. Havia apenas um lugar no interior, o ônibus estava cheio de outros corredores, eu sentei lá e logo em seguida e logo em seguida pegamos um outro corredor que dormia no chão, a van tinha cerca de 9 nós, lá dentro estava quente e fedendo a vomito . O cheiro era tão forte que eu pensei que poderia desmaiar ou cair no chão, então eu perguntei a ela por um saco plástico, felizmente eu não vomitei. Em seguida, ela arrancou a metade inferior do meu numero onde meu nome foi escrito e em seguida, colocou uma cruz com um marcador preto, então ela pediu que eu me curvar para a frente e colocou outra cruz no meu numero que estava nas costas. O cara sentado ao meu lado disse que veio de Joanesburgo e não podia acreditar que isso estava acontecendo com ele. Eu não lhe disse que eu tinha vindo da Índia. A van nos deixou na entrada dos fundos do estádio.


Quando entrei pela porta dos fundos, eu fiquei momentaneamente cego pela luz. O primeiro cara que eu vi quando entrei estava deitado na grama verde, com muita dor agonizando. Não havia médicos em torno dele e pensei: 'ele não deve ter terminado a corrida ", mas depois eu vi a medalha ao pescoço. Então, de repente, percebi que havia milhares de pessoas, todos com medalhas em torno de seu pescoço. Eu tentava encontrar a tenda internacional onde minha família estaria me esperando. Olhei as barricadas e pude ver a reta final onde o corredor deveria passar pelos tapetes de cronometragem. Esse solo sagrado. Quando entrei na tenda internacional, um senhor mais velho veio até mim e perguntou onde eu encontrei a manta de alumínio, ele estava tremendo, ele tinha uma medalha no pescoço. Até aquele momento eu só tinha pensado na corrida que eu não tinha conseguido terminar, eu não tinha ainda pensado que outros tinham conseguido terminar.

Lamento por não ter tido presença de espírito para lhe dar o meu cobertor. Então Aryan, meu filho veio e me abraçou, então Namrata, minha filha, e, em seguida Neepa minha esposa, todos eles tinha lágrimas em seus olhos. No dia seguinte a Comrade, todos no lobby do hotel estavam vestindo a camisa da Comrades e mancando. Minhas pernas estavam doendo um pouco, mas de algum modo eu senti que eu não tiinha o direito de vestir esta camisa ou caminhar mancando. Lembro-me que o livro que li quando criança, "O emblema vermelho da coragem", acho que tinha de ganhar este direito de mancar.
Eu quero dizer-lhe que, embora eu não consegui terminar naquele dia, eu não iria querer estar em qualquer outro lugar que não fosse naquela estrada neste dia tão especial. Que dia fantástico! Acho que se nós pudéssemos viver tão intensamente cada dia como eu fiz naquele dia, nós teríamos muito mais de em nossas vidas. Mais tarde, a caminho da baia St Lucia no carro, eu escrevi no meu bloco de telefones: "O desafio da distância é como o desafio da própria vida, a luta para correr mais e mais e ir além de uma zona de conforto. E não pode haver nenhum desafio sem a possibilidade de fracasso. É nesse momento de tempo, quando você está correndo na estrada, cansado e ferido, quando os dados não são manipuladas em seu favor, quando o resultado é incerto e desconhecido que você se sente realmente e verdadeiramente vivo "
Eu acho que, embora eu estava cansado e sofrendo, eu estava realmente vivo e eu nunca estava sozinho. Eu tenho uma grande família e grandes amigos corredores. Vou conseguir no próximo. por Amit Sheth "

Comrades Marathon, The Ultimate Human Race






Comrades, Comrades e Comrades...






Esta palavra parece um mantra, não sai de minha cabeça, é o meu sonho desde a primeira vez que li sobre ela, quantas vezes cansado nos meus longões e longuinhos, bastava pensar nela e vinha um gás a mais. Coloquei acima no meu blog, para sempre olhar e lembrar do meu compromisso. Passaram já algumas edições e eu sempre pensando, no próximo ano. Desta vez não foi diferente, ainda mais que este ano, não foi tão agradavel, apesar das 3 excelentes Maratonas, São Paulo (4h27), Rio (4h11) e Berlin (4h08), a dor tem sido minha companheira de treinos. Pensei que 2010 seria o ano, e ainda para ajudar edição especial de 85 anos, mais a Copa do Mundo de Futebol sendo lá, abriusse a primeira faze das inscrições, 15000 para veteranos, fechou antes do prazo, e 5.000 vagas para estreante fechou em 27 horas, emails para organização, mobilização de amigos e esta dificil abrir um portinha pra mim, será? Vai ser apenas uma das tantas dificuldades que enfretarei nestes próximos meses, até chegar a largada, mais uma coisa sei, quem quer atingir seus objetivos, realizar seu sonhos, tem lutar.


É é isto, começa minha luta antes mesmo da inscrição!!

Apesar das três mortes na Maratona de Detroit, corrida, fatalidades são raras

Geralmente corrida é um momento de celebração, pessoas que superam seus desafios, realizam seus sonhos, tive a chance de fazer 5 Maratonas, e pretende fazer muitas, quem sabe me tornar um Vovocop, e quando fizer os meus 80 anos, ainda continuarcorrendo. Coloquei as fotos deles, para não serem apenas numeros, são pessoas como nós, Rick Brown, 65, Daniel Langdon, 36 e Jonathan Fenlon, 26,

Tudo é suposição, é muito triste a morte destes três corredores na ultima edição da Maratona de Detroit. Queira que as pessoas continuem praticando atividades físicas, mas nunca esquecendo que tem seu preço, claro que prefiro tombar nos fins dos meus dias numa prova do que que morrer num sofá, mas queira Deus que este dia demore.
Traduzi (dentro do possível) este texto dos sites CNN e completei com o do Examiner, por acha-los extremamente útil para nós, corredores, quer seja de uma Maratona, uma meia ou até os 5km. Quando não se esta bem (conforme o texto as vezes até se esta), pode-se morrer até sentado na cadeira balançando as pernas..
Três corredores morreram durante a maratona de Detroit, no domingo. Apesar de que a notícia é chocante e assustadora para os corredores e não-corredores, tais mortes são raras, dizem os especialistas. Maratonas são seguras para a maioria, mas alguns atletas podem ter uma doença cardíaca subjacente, dizem os médicos.
Maratonas são seguras para a maioria, mas alguns atletas podem ter uma doença cardíaca subjacente, dizem os médicos. "Entre os jovens de ensino médio e os atletas da faculdade, há uma morte a cada 200.000 pessoas [durante o exercício em geral]," diz o Dr. Paul Thompson, diretor de cardiologia no Hospital Hartford, em Connecticut. "Para os idosos, há cerca de uma morte em cada 15.000 pessoas. Se você olhar para as pessoas que realmente se exercitam, a taxa de mortalidade é menor ainda." Na verdade, outras atividades podem ser mais perigosas do que correr uma maratona. "Morrem mais pessoas por relâmpagos enquanto jogam golfe," diz o Dr. William Roberts, um professor de medicina familiar e saúde comunitária da Universidade de Minnesota, e diretor médico do Twin Cities Marathon. "E é provavelmente mais seguro correr uma Maratona do que dirigir um carro, levando em consideração o número de mortes por acidentes de trânsito." Os três homens que morreram na corrida de domingo tinham excelente saúde e eram treinados para terminar a corrida, segundo relatos da imprensa. Tinham 26, 36 e 65 anos de idade. Dois desmaiaram entre quilometros 18 e 20, o terceiro acabara de cruzar a linha de chegada da meia-maratona. As autópsias foram agendadas para determinar as causas da morte, mas as autoridades suspeitam que os três morreram de parada cardíaca. Duas outras corridas foram notícia nos últimos meses, após alguns corredores morrerem: Duas pessoas morreram no final do Rock 'n' RollHalf Marathon em San Jose, Califórnia, e uma pessoa morreu na Maratona de Baltimore. "Quando estas coisas acontecem, elas chamam a nossa atenção", diz Thompson. "Mesmo se você estiver em boa forma, não é nenhuma garantia que nada acontecera" Quem está em risco? Pessoas que tem mais risco de ter parada cardíaca durante o exercício extenuante são aqueles que têm problemas cardíacos subjacentes, mas não sabem disso. Às vezes, eles têm anormalidades cardíacas, que podem estão presentes desde o nascimento. "Com os jovens é congénito", diz Thompson. "O coração eh muito grosso, ou as artérias saem de áreas erradas." Outras paradas cardíacas são causadas por rupturas de placa mole nas artérias, diz Roberts. Ao contrário de placas duras conhecidas que entopem as artérias, a placa mole pode deixar artérias abertas o suficiente para passar despercebida. E a ruptura pode resultar na formação de coágulos sanguíneos e ataques cardíacos, diz Roberts. "Se alguém é habitualmente ativo, ele corre menos risco, mas a ruptura ainda pode acontecer", diz Roberts. "Se isso vai acontecer quando você não estiver correndo é bem difícil de prever. Nós tivemos uma morte na Twin Cities Marathon de um homem que antes havia feito um teste de esforço cardíaco algumas semanas antes, e o resultado tinha sido que estava bem".
A última morte em um evento de Detroit foi relatado em 1994, quando um homem de 42 anos morreu depois de correr mais de 32 quilómetros. As condições de corrida em Detroit não são culpadas por estas mortes diz Roberts, ele diz que às vezes as mortes ocorrem em aglomerados apenas por acaso. Mais de 19.000 pessoas estavam inscritos na corrida. As temperaturas foram baixas durante a corrida (9 graus no início), os corredores são mais propensos a ter problemas em clima quente. Embora os níveis de poluição do ar são geralmente maiores em grandes áreas urbanas, como Detroit, é geralmente seguro para correr em qualquer lugar a menos que haja um alerta de "smog", diz Roberts. Mesmo o trajeto incomum, passando por um túnel - não deveria ter feito a diferença, uma corrida de Hong Kong que os corredores passam por um túnel particularmente longo não tem taxas de mortalidade mais elevada do que qualquer outro, diz ele.

Como permanecer seguro durante uma corrida :
Mortes na Maratona levantam uma série de outros problemas de saúde relacionados com a corrida. Cuidados com a hidratação levou um corredor a morte em 2002 na Maratona de Boston, devido a uma super-hidratação um corredor morreu depois de beber muita água. Mortes na Maratona por excesso de hidratação são extremamente raras - houve apenas cinco na história, diz Roberts -, mas é possível. O excesso de ingestão de água, geralmente por atletas inexperientes, preocupados com a desidratação, pode provocar uma situação potencialmente fatal condição chamada hiponatremia, ou intoxicação por água. Os corredores devem ter por objectivo a beber água o suficiente para substituir apenas um pouco do que aquilo que perdeu com o suor , diz Roberts. Para aproximar montante , pese-se antes e depois de um longo percurso. A diferença é o quanto você perdeu durante esse período de tempo. "Para dizer:" Beba isto muito a cada hora "é realmente difícil", diz Roberts, "devido à grande variabilidade nas taxas de suor nas pessoas." Estar ciente de quanto água você bebe, mas não se abster de beber quando você está com sede só porque você está com medo do excesso de hidratação, diz ele. Além disso, antes das longas corridas, os corredores devem evitar consumir tudo o que poderia colocá-los em maior risco de insolação, o que inclui qualquer coisa que possa provocar desidratação, como o álcool, cafeína, e alimentos ricos em sódio, adverte Roberts. Alguns medicamentos também podem aumentar o risco, portanto verifique com um médico. Caso contrário, manter a sua medicação habitual e hábitos alimentares. Acima de tudo, verifique se você está apto para correr. Converse com seu médico sobre quaisquer fatores familiares de risco como a hipertensão ou diabetes, e verificar possíveis problemas, como colesterol alto, dizem especialistas. "Se há algo suspeito na sua história familiar, análise com o seu médico e vê se há qualquer cuidado que você precisa antes da corrida", diz Roberts. "Se você tem um histórico familiar saudável e você foi corre a bastante tempo, você deve estar bem. Se você eh sendentario, certifique-se de seu passado histórico pode te atrapalhar". Thompson recomenda que os corredores prestem atenção ao seu corpo durante o exercício e ter certeza de não ignorar os sintomas que poderiam ser um sinal de problemas subjacentes. "Cerca de 50 por cento das pessoas nos nossos estudos tiveram sintomas que optaram por ignorar", diz Thompson. Esses sintomas incluíam azia, sensação de aperto no peito, e aperto nos braços provocadas por exercícios - que podem ser sintomas de problemas cardíacos. Ainda assim, os especialistas concordam que é importante não se preocupar muito com ocorrências raras. "Se estamos preocupados com acontecimentos raros o tempo todo, nós não fariamos qualquer coisa", diz Roberts. Dependendo de sua saúde, talvez uma maratona completa não será o melhor, mas que não implicam, por qualquer meio de ter uma vida saudável com praticas de exercícios regulares.

As quatro condições principais que levam à morte de maratonistas são:

1. A doença cardíaca coronária ou morte - Os ataques cardíacos durante a corrida de longa distância são causadas pela combinação de esforço físico com prévia doença cardíaca. Este tipo de morte geralmente ocorre em um corredor de mais de 35 anos de idade. No longo prazo a correr o técnico Roy Benson aponta, "Correr não causa ataques cardíacos. Doença cardíaca provoca ataques cardíacos".

2. Os defeitos cardíacos ou morte cardíaca súbita - alguns corredores têm defeitos genéticos do coração diagnosticada. Um certo número de condições pode levar à falência súbita do coração, especialmente quando o coração é excessivamente requisitado durante uma Maratona.

3. Hiponatremia (intoxicação por água ) - Nos últimos anos, alguns corredores perceberam como é difícil de se manter hidratado e acabam exagerando na agua,o uso de bebidas esportivas e comprimidos de sal podem ajudar a evitar isso.

4. Doenças relacionadas ao calor - desidratação extrema é a mais comuns . Quando o corpo fica desidratado, é mais difícil para ele regular sua temperatura. E devido a insolação a temperatura corporal sobe, conduzindo a um possível coma induzido, então a morte.

Maratona de Berlin

20/09/2009 - Uma data para nunca mais ser esquecida
Fotos oficiais, compradas, aguardando as originais..
Era apenas uma idéia maluca, de aproveitar as férias e esticar até Berlin, para uma corridinha, claro que para mim seria um sonho, correr a tão famosa Maratona de Berlin, mas não sei se seria a mesma coisa para minha esposa. Ela acabou aceitando, e foram mais de um mês de treinamento, já que vinha na seqüência da de São Paulo e Rio de Janeiro. Nesta queria que fosse diferente, queria realmente fazer um bom tempo, e treinei com mais afinco, chegando a picos semanais de 90 km/semana. Usei inclusive o Desafio do 600 km da Nike como parte do treinamento. Este ano a 36. Edição, comemorou-se os 20 anos da queda do muro de Berlin, o lema era "Um mundo sem fronteiras..." Chegamos a Berlin, com quatro dias de antecedência, e lá vamos aos passeios e mais passeios, e como poderia ficar parado numa cidade tão linda? Tão cheia de histórias? Logo a idéia de tempo começou a fugir, chegávamos ao hotel no fim da noite, exaustos, com as pernas doendo de tanto caminhar por Berlin, minha vontade de correr bem a Maratona estava na minha cabeça, mas o desejo de conhecer Berlin, era maior. Sexta-feira a primeira parte da prova, ir a feira buscar o kit, e eu me sentia uma criança no meio de tantos produtos e tantos outros corredores, como era gostoso respirar aquele ar pré-prova, que era tão evidente em toda cidade, onde andasse era pessoas comentando que teria uma Maratona no domingo, com mais de 40.000 corredores, que bom saber que eu seria um destes, mesmo que apenas um na multidão. Sábado à noite preparo todo o equipamento, Nike +, Garmin, camisa, short etc., vamos a um restaurante e faço questão de pedir uma massa, já que precisava de carbodraito. Domingo de manha acordamos bem cedo, tudo preparado, tomo meu café, não do jeito que sempre tomo claro, não estava em casa, e acabo tomando mais chocolate do que estou acostumado. Pegamos o metro e fomos como era legal ver a cada estação entrar mais e mais corredores, tomando todos os vagões, em pouco tempo, estava lotado, com gente de tudo que era pais, seus idiomas, camisas e expectativas. Chego perto da largada e vejo o que e uma prova destas, muita gente, mas muita mesmo, e separo da minha esposa indo para o espaço reservado aos corredores. Sinto umas pontadas na barriga, e imagino, dor de barriga logo hoje não, acredito que o excesso de chocolate não me fez bem, resolvo encarar uma filinha ao banheiro para tirar as duvidas, e aqui uma decepção, apesar de tantos banheiros, não eram suficientes para tão grande multidão de corredores. Gastei quase 40 minutos para chegar ao habitáculo azul. Quando vou a minha raia, que são divididas por tempo, descubro que fui inscrito na raia errada, na G, sairia com o pessoal com tempo acima de 4h15, sendo que na do Rio, tinha feito em 4h11, e o pior, teria de sair bem no finalzão devido a minha demora no cubo azul. Fazer o que, estava em enfim, estava em Berlin, céu azulaço, não e frio aqui? Cadê meus 15 graus? Naquela altura já estava uns 20 e poucos, acho que estou no lugar errado, no meio de uma multidão enorme, mesmo com uns ruídos estranhos vindo da minha barriga, a emoção era gigante, estava em Berlin, só esperando a hora da largada, lá na frente, bem lá na frente estava o Haile Gabriliese, o único homem no mundo que conseguiu correr uma Maratona em menos de 2h04, e cá trás este lerdão, com dor de barriga, preocupado neste momento em apenas conseguir terminar a prova. Nove horas em ponto começa a prova, balões amarelos são soltos, imagino nesta hora o Haile, saindo com tudo e eu aqui, parado no meio da multidão, são mais de 15 minutos desviando de garrafas, agasalhos e capas plásticas, deixadas por pessoas que esperavam os 15 graus, mas já contávamos com mais de 20, agora sim, passei no portal da largada, vou procurando na multidão o rosto de minha esposa, para mostrá-la a minha surpresa, mas são tantas pessoas, gritando, batendo palmas e não consigo achá-la, acho que a surpresa vai ficar para o final. Quando ligo o Garmin, que tão cuidadosamente carreguei no Brasil, recebo a mensagem, bateria fraca como? Carreguei-o, não usei, não aguentou nem 5 minutos e foi-se agora teria de correr sem saber a velocidade, minha estratégia foi para o espaço, teria de correr sentindo meu corpo, mas não tinha treinado para isto, e sim correr num pace de mais ou menos 5:35/km. São muitas pessoas, as primeiras ruas são bem largas, mas as ultrapassagens requerem muito cuidado, para não derrubar os corredores a sua frente, do seu lado, ou que vem atrás, é necessário um jogo de cintura tremendo, os espaços são muito pequenos, mas assim foi durante um bom tempo, jogo o corpo pra cá, pra lá, e vou ultrapassando, soltando uns sorry, toma uma cutevalada aqui outra acolá, o esforço é grande para ultrapassar, fico assim por mais de uma hora, já foram mais de 12 km, resolvo desistir, e seguir o ritmo da multidão, neste momento o sol é pleno, e a sensação térmica é de uns de 25 graus, well, sou um corredor baiano, acostumado com o sol, que venha o astro rei. Minha barriga ainda continua mandando sinais constantes ao meu cérebro, e ao meu ouvido, fico pensando se teria de parar para ir ao banheiro, os quais eram constantes em todos postos de água, não queria parar e perder o ritmo, que nem sei a quanto estava. Os pontos históricos iam passando que cidade linda, não sabia que a Berlin, de tantas historias, era tão bonita, mesclando prédios históricos com prédios modernos, e a torcida? Como imaginava o tempo todo gritando e de onde veio tanta gente? Em todos os quilómetros filas dos dois lados, e a todo momento gritando, batendo palmas ou fazendo barulho com instrumentos. Isto é um show a parte, que faz a diferença. Como não se sentir motivado? Lembrava-me das Maratonas de Curitiba, São Paulo e Rio, que fora uns gatos pingados em alguns determinados pontos, eram uma longa e solitária corrida, que a nossa única torcida era os próprios amigos corredores. Claro que não preciso de torcida, corredor é na sua natureza um lutador solitário, que luta consigo mesmo, com suas dores, com suas limitações e aspirações, entretanto, ver gente ao redor gritando a todo o momento é uma motivação a mais. Aqui em Berlin e em San Diego era diferente, talvez a própria cultura, sei lá o real motivo que leva estes malucos, a ficar gritando horas e horas, não sou elite, passava com o dobro do tempo do Haile, e eles continuavam gritando, onde conseguiam tanta motivação? Depois de vários monumentos, chego aos 30 km, o calor é muito forte, caminhões espirram água nos corredores, os postos de água são bem disputados, mas mesmo assim é muita gente correndo, é impressionante, não vejo quase ninguém andando, e começo a imaginar quando vira o urso para pegar uma carona nas minhas costas, o meu ritmo já diminuiu, as pernas já começam a ficar pesadas, mas pela primeira vez, vejo que é possível vencer os 42.195 metros sem caminhar. E vou brigando psicologicamente comigo , pensando, vamos Sérgio, só mais um quilometro, só mais um, e assim vão, um atrás do outro. Hora que vejo já estou no quilometro 40 , sinto dores em varias partes do corpo, imagino que maratonista gosta de sofrer mesmo, que sou um masoquista, que tenho de aguentar mais um pouco, que depois dali, seria só férias e água fresca, que estaria no mar Egeu passeando pela terra de Hércules, e outros heróis gregos, força... Quando vejo o Portão de Brandenburgo, ai não tem mais jeito, tiro a surpresa que estava no bolso para minha esposa, e esqueço o que é cansaço, esqueço tudo, tento me segurar, a emoção é forte demais, é a minha 5° Maratona, mas o gosto não muda, o gosto da vitória, de mais uma vez ter superado os tão temíveis 42.195 metros, lembro que minha Lorena esta me esperando, a lágrimas tentam sair dos meus olhos aos ver toda aquela torcida na arquibancada gritando, mesmo depois de 4 horas, corro fazendo ziguezague entre os fotógrafos postados, com a faixa na mão, Eu te amo Lorena, passo o Portão de Brandenburgo, o Portão da Vitória, ai já era, sou 5 vezes maratonista. Berlin fica pra sempre no meu coração, ver toda aquela organização germânica, aquela torcida maluca, gritando a todo o momento, as muitas bandas no caminho, e encontrar minha esposa no final, e depois partir para umas merecidas férias, foram três Maratonas em menos de 70 dias, pra muitos nada, pra mim um grande feito...