22 agosto 2008

Corrida contra o tempo

materia da Veja

A medicina derruba a noção de que se deve diminuir o ritmo dos exercícios depois dos 50 anos. Correr com intensidade é parte da receita para uma velhice com qualidade de vida


O aumento da longevidade é um fenômeno mundial que impõe uma série de desafios, como melhorar a qualidade de vida durante a velhice. Um grupo de médicos da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, acaba de dar uma colaboração nesse sentido. Na semana passada, eles divulgaram uma pesquisa elaborada ao longo de duas décadas que aponta a corrida como um ótimo aliado para retardar as conseqüências nefastas do envelhecimento. Os pesquisadores investigaram ainda se os riscos de lesões musculares e nas articulações, comuns entre corredores, representam uma ameaça aos benefícios que o exercício pode oferecer a quem tem idade avançada. A probabilidade de lesões no grupo de corredores, mostra a pesquisa, é compatível com a de pessoas que não correm. "Um dos maiores entraves à prática de corrida por pessoas mais velhas é a crença equivocada de que esse exercício é desgastante demais para o organismo de quem já passou da faixa dos 50 anos", disse a VEJA o médico americano James Fries, especializado em doenças reumáticas e envelhecimento, um dos autores do estudo. De acordo com a pesquisa, pessoas acima de 50 anos que praticam corrida regularmente vivem mais e desfrutam uma qualidade de vida melhor na velhice (veja o quadro). Segundo os pesquisadores, tais benefícios valem também para outros exercícios aeróbicos vigorosos, como pedalar e caminhar em ritmo acelerado, principalmente quando se provoca o suor e o coração trabalha perto de 85% de sua freqüência cardíaca máxima.



Para chegar a tais conclusões, os pesquisadores americanos acompanharam 961 pessoas que tinham entre 50 e 72 anos de idade no início do estudo, em 1984. Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles era formado por pessoas que corriam, em média, quatro horas por semana – tempo que encolheu para 76 minutos semanais no final da pesquisa. O outro grupo era composto de sedentários ou praticantes de atividades físicas leves ou moderadas. Ao longo das duas décadas seguintes, com o aumento da idade dos participantes, ambos os grupos registraram um acréscimo nos índices de fragilidade física para o desempenho de tarefas cotidianas. Entre aqueles que praticavam corrida, a incapacitação apareceu, em média, dezesseis anos mais tarde. As taxas de mortalidade relacionadas a algumas das principais causas de óbito entre idosos, como distúrbios cardiovasculares e neurológicos, câncer e infecções, também foram maiores entre os não-corredores.



A questão que aflige muitos corredores tardios é a quantidade de exercícios para não incorrer em exageros. Responde o médico James Fries, de Stanford: "Se a pessoa não tiver dores, não existe um limite máximo. A maioria dos benefícios é obtida com três horas semanais de corrida, distribuídas em meia hora diária, seis dias por semana". Correr melhora a capacidade cardiorrespiratória. Além disso, o impacto dos pés contra o solo ajuda a fixar o cálcio nos ossos e, dessa forma, é um bom auxiliar na prevenção da osteo-porose. A doença, que deixa os ossos fracos e quebradiços, atinge 200 milhões de pessoas no mundo, 10 milhões delas no Brasil. Recomenda-se associar corrida a exercícios de força e alongamento, para fortalecer a musculatura e diminuir os riscos de lesão. "Depois de ter um estiramento muscular enquanto corria, aprendi a não deixar de fazer o aquecimento e a musculação", diz o dentista paulista Benedicto Bassit, 71 anos, que pratica corrida regularmente há quinze. Bassit diz que a corrida é uma parte indispensável de sua rotina. "Casei há um ano e minha mulher, apesar de ser mais nova que eu, não corria. Eu disse que só casaria se ela também começasse a correr. Funcionou", conta.

A corrida se popularizou muito no Brasil na última década. A Corpore, o maior clube de corredores de São Paulo, registrou aumento de 311% no número de cadastros nos últimos cinco anos. A modalidade conquista adeptos, principalmente, porque proporciona resultados rápidos. "Começar a correr desencadeou uma série de mudanças nos meus hábitos de vida. Fiz novos amigos, passei a me alimentar melhor e ter um sono reparador", diz o engenheiro paulista Sergio Bertocco, de 50 anos, que corre entre uma e duas horas cinco vezes por semana. Ficou para trás o tempo em que pessoas na idade de Bertocco recebiam orientação médica para moderar nos exercícios daí para a frente.

31 julho 2008

Quem luta e tem capacidade vence!!


Sandro Viana: do sacrifício para Pequim

São Paulo (SP) - Quando chegou para treinar em São Paulo, em 2005, o amazonense Sandro Viana tinha, literalmente, o dinheiro contado para sobreviver. Depois de encarar o desafio de se manter com modestíssimos R$ 6,50 diários para a alimentação, ele embarcou para a China com o sonho de levar o Brasil a novas conquistas no atletismo.

"Não imaginava estar indo para as Olimpíadas", confessa, lembrando de quando vendeu todos os seus pertences pessoais para bancar a viagem à capital paulista, tendo de se virar com R$ 0,50 para o café-da-manhã, R$ 4,50 para o almoço e R$ 1,50 para a janta. "As pessoas diziam que eu não dava para a coisa, mas eu queria saber se era capaz. Se não desse, voltaria para minha vida de antes".

E Viana provou que foi feito sob medida. Atual primeiro colocado no ranking nacional dos 100m com 10s19 e dos 200m com 20s32, prova na qual tem o 12º melhor tempo do mundo no ano, ele disputará as duas provas em Pequim. Além de ser encarregado de fechar o tradicional revezamento 4x100m.

"Descobri que as Olimpíadas são o percurso e não os Jogos. Abdiquei de mim mesmo, passei provações, mas sei que fiz o necessário. Agora é chegar e coroar todo este esforço".

A tarefa vai ser dura. Além das dificuldades que enfrentará com o revezamento, nos 100m e 200m ele disputará contra os melhores do mundo. Na prova mais rápida, a lista inclui o ex-recordista Asafa Powell (Jamaica) e o norte-americano Tayson Gay, que este ano já fez 9s77. A dúvida é a participação ou não do também jamaicano Usain Bolt, recordista mundial da distância (9s72).

Especialista nos 200m, ele ainda não confirmou se correrá também os 100m, já que também integrará o revezamento 4x100m. Viana torce para que ele se sobrecarregue.

"Todo mundo sabe que jamaicano é bom para um tiro e não para quatro. Se ele correr (os 100m) não terá a mesma performance nos 200m", lembra. Em cada prova individual olímpica, os corredores têm de disputar quatro baterias até o final. No revezamento são duas. "Por isso, o Asafa nunca foi campeão olímpico ou mundial".

De olho em um bom resultado, Viana espera ainda ficar bem longe de um concorrente que ele admira muito, o norte-americano Gay. Lesionado, o atual campeão mundial dos 200m está fora da prova, mas tem vaga garantida nos 100m.

O 'trauma' vem de disputa anterior. "Corri contra ele em um meeting, eu na raia 5 e ele na 6. Na primeira etapa corremos empatados. Na segunda, ele venceu e eu fiquei em sexto. Mas quem venceu a outra bateria fez o mesmo tempo que eu. Este ano, espero não ver a cara dele até a final", brinca.

Com lesão ou não, Viana aposta que Gay é o "cara" da prova. "A briga vai ser pela prata".

Já nos 200m, sua esperança é uma reedição dos Jogos de Sydney-2000. Os favoritos foram se machucando, tendo problemas e venceu o inesperado grego Konstantinos Kenteris.

Mas a reta final de sua preparação para Pequim foi complicada. Durante os treinamentos na Espanha, Viana sofreu uma contratura no músculo posterior da coxa direita por causa da viagem de 12 horas na classe econômica, nada confortável para alguém com 1,85m. Calejado, no embarque para Macau nesta quarta-feira, o velocista queria usar suas milhas para fazer um upgrade na classe do vôo.

30 julho 2008

Marílson dos Santos é segundo na Meia Maratona de Bogotá

Bogotá (Colômbia) - Promovendo os preparativos finais antes do embarque para a China, onde participará dos Jogos Olímpicos de Pequim, o velocista Marílson dos Santos conseguiu um importante resultado: o brasileiro terminou com a segunda colocação na Meia Maratona de Bogotá.

A prova foi vencida pelo queniano Issac Macharia, que terminou o traçado em 1h03min38s. Dois minutos mais tarde apareceu Marílson, com o tempo oficial de 1h05min05s.

Também com o Quênia ficou o posto mais alto entre as mulheres: Pamela Chepchumba levou 1h12min55seg para completar o percurso da prova na capital colombiana

21 julho 2008

Badwater!! 217km num deserto!!

Finalmente, meu amigo, Márcio Villar, chegou ao Brasil, depois de enfrentar um desafio que poucos teriam coragem. Com certeza se é o sonho de uns, seria o pesadelo de outros, correr no Deserto da Morte (Valey Death) Califórnia, por nada menos de 217km, foi, mesmo com pouco patrocinio, o suficiente para pagar a passagem aérea e a inscrição, no mais foi ajuda de amigos, inclusive Jarom, um amigo, que foi motorista, cozinheiro e ainda correu do lado dele (por alguns kilometros claro). E viajou para os EUA porque já tinha a passagem e a inscrição, mas não sabia se seria permitido correr, sendo que para participar, precisa ter uma equipe minima de 3 pessoas, e ele só tinha 2. Foi permitido, mesmo sobre sorrisos maliciosos de uns, achando que seria impossivel.
Depois de vomitar após o 12 horas correndo, continuou, usando gelo na cabeça e no pescoço. E assim, o brasileiro conseguiu finalizar o duro percurso de 217 quilômetros em 42h07min53. O outro brasileiro que participou da prova foi João Sack Prestes. Aos 79 anos, o atleta completou a competição em 42h42min14. Vilar chegou na 40ª posição, enquanto Preste chegou em 45º lugar. Ao todo participaram da ultramaratona 80 pessoas de diversos países, mas somente 73 completaram a prova. O campeão da competição foi o mexicano Jorge Pacheco em 23h20min16. Já a primeira mulher foi Jamie Donaldson no tempo de 23h51min33.
Parabéns Márcio, vc foi um guerreiro, ouviu chacota, te chamaram de maluco, mas esta ai, agora é um dos poucos brasileiros que tiveram a coragem de enfrentar e vencer este grande desafio. e faz parte dos poucos que conseguiram terminar em menos de 48 horas ganhando a fivela da sub-48, e bem antes do corte de 60horas!!

19 julho 2008

Exercício aeróbico rejuvenesce até 12 anos

Agora minha amada esposa nao pode mais proibir meus longuinhos de fim de semana. Tenho embasamento cientifico de ficar correndo por horas... por Reuters 16/05/2008 Manter a forma com exercícios aeróbicos a partir da meia idade pode atrasar o processo do envelhecimento em mais de uma década e prolongar a vida independente, de acordo com uma nova revisão de pesquisas sobre exercícios aeróbicos e dependência em idade avançada.


O Dr. R. J. Shephard da Universidade de Toronto em Ontário, Canadá e seus colegas publicaram um artigo no periódico científico British Journal of Sports Medicine onde revisaram estudos sobre esta questão. Exercícios aeróbicos regulares aumentam a habilidade do corpo de captar oxigênio e utilizá-lo, mas a capacidade aeróbica máxima de uma pessoa declina com a idade. De acordo com Shephard, estudos sobre a resposta do treinamento aeróbico em pessoas mais velhas mostraram que se exercitar, especialmente com atividades físicas intensas por períodos mais longos, pode aumentar o poder aeróbico. Em realidade, sete estudos sobre este tipo de exercício descobriram que a capacidade aeróbica das pessoas aumentou 25%, o equivalente a 12 anos de perda de forma física. Baseado nesta revisão, Shephard concluiu que pessoas mais velhas que fazem treinamento aeróbico progressivo podem manter a independência por mais tempo, pelo fato de atrasarem o relógio biológic o na perda da forma aeróbica que ocorre com a idade. Outros pontos positivos da forma aeróbica incluem a redução de riscos de doenças sérias, recuperação mais rápida depois de ferimentos ou doenças e redução de riscos de quedas devido à manutenção da força muscular, equilíbrio e coordenação. “Ali se mostra a necessidade de esclarecer a importância da deterioração na forma física relativa com outras causas potenciais de dependência, mas, de um ponto de vista prático, atividade aeróbica regular pode ajudar em muitas questões de ambas as perdas: funcionais e doenças crônicas”, ele escreveu.

15 julho 2008

Haile Gebrselassie não correrá a Maratona na Olimpiada

Vai ser uma pena não vê-lo correndo a Maratona na Olimpiada, justamente ele, o homem mais rápido do mundo nesta distância, sendo dele o recorde mundial, quebrado o ano passado em Berlim, como tempo de 2h04 e 25 seg. De qualquer maneira, conseguiu a vaga para correr os 10km, na raça, não com o nome, ficando em segundo na seletiva do seu pias, com 26:25 e 97 seg, mais rápido de quando defendeu esta distancia no passado. Para se ter uma idéia, o grande Marilson, fez em 27 e pouco...
A Etiópia escalou a equipe de atletismo que representa o país nos Jogos Olímpicos de Pequim. Ao todo serão 34 atletas nas modalidades de fundo. De acordo com a listagem da Confederação de Atletismo da Etiópia, o recordista mundial de maratona, Haile Gebrselassie, só irá participar dos 10 mil metros.Com a divulgação dos atletas, a participação de Haile na maratona olímpica parece estar descartada. O atleta demonstrou desde o começo do ano incerteza na maratona por causa da poluição de Pequim. E pelo que tudo indica, ele só participará da prova de menor distância. Também na disputa dos 10 mil metros, a Etiópia conta com Kenenisa Bekele, recordista mundial da modalidade, o que dá mais chances de medalha para o país. Na maratona masculina o destaque fica para Tsegaye Kebede, campeão da Maratona de Paris 2008 com o tempo de 2h06min37.Entre as mulheres, a maratonista Gete Wami, campeã do Circuito das Maiores Maratonas do Mundo (WMM), tem chances de pódio. Ela faturou meio milhão de dólares no WMM no final de 2007.

03 julho 2008

Pistorius falha na sua primeira tentativa para ir á Olimpiadas

Oscar Pistorius ficou frustrado após falhar na sua primeira tentativa de qualificação para a Olimpiada. O paraolimpico sul-africano foi quarto na Corrida International de Notturna em Milão com 47.78sec a noite passada, perseguindo a qualificação de 45.55.
" Eu estou um bocado decepcionado, " disse. " Eu não esperava ser maravilhoso mas eu não esperava ir tão mau. Mas eu tenho que ser realísta. Eu não corri neste ultimo ano."Pistorius, 21, que compete usando membros protéticos em forma de J, terá agora uma outra chance em Roma amanhã antes de competir em Lucerne a seman aseguinte. A noite passadafoi fora de seu melhor pessoal de 46.36.Em maio a corte de arbítrio para o esporte confirmou que seus membros da carbono-fibra não lhe dão uma vantagem em relação aos outros corredores, isto depois de ter sido proibido de correr, não desistiu, e hoje apesar das proteses, luta por uma vaga para participar das Olimpiadas em Bejing . Otem mesmo numa corrida lenta não conseguiu correr o rapido suficiente para vencer o italiano Moscatelli, que ganhou em 47.26.Pistorius acredita que não tem tempo suficiente para qualificar para o individual em Beijing e espera ser seleccionado para o pelotão de 4x400m de África do Sul, que não exige uma marca de qualificação. " Londres 2012 é um alvo mais realístico, " disse antes da corrida ontem a noite. " Os velocistas alcangam geralmente seu pico entre 26 e 29anos. Eu terei 25 anos em Londres e eu mais dois ou três anos pra me preparar.."